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Alergia a esmalte: causas, tratamento e prevenção

Muitas mulheres gostam de ir ao salão de beleza, manter os cuidados estéticos em dia, mas em algumas situações pode haver algo que atrapalhe a rotina de beleza. Uma alergia ainda comum e que acomete principalmente as mulheres é a alergia a esmalte, um tipo de dermatite de contato causadora de sintomas desconfortáveis. 

Em geral, esse tipo de alergia tem como agente catalisador os produtos químicos presentes na composição do esmalte, como o tolueno ou o formaldeído. Geralmente não há cura, mas existem formas de controlar as reações com produtos antialérgicos, adesivos para unha, entre outras opções disponíveis no mercado. 

Neste artigo você entenderá porque acontece a alergia a esmalte, aprenderá a identificar os seus sintomas e ainda irá descobrir formas de tratamento e prevenção.

O que são as dermatites de contato?

As dermatites de contato (ou eczemas de contato) são reações inflamatórias que ocorrem na pele por causa da exposição a um agente que causa irritação ou alergia. A alergia a esmalte se enquadra no tipo irritativa, em que o organismo reage a substâncias ácidas ou alcalinas como detergentes, sabão em pó, solventes e outras substâncias químicas. 

Os sintomas podem aparecer na primeira vez que a pessoa tem contato com a substância que causa a reação ou mesmo após seguidas vezes sem nenhuma reação anormal. Isso quer dizer que mesmo quem nunca teve alergia a esmalte pode desenvolver o problema anos mais tarde após o primeiro contato com o produto.

O que causa a alergia a esmalte?

A composição do esmalte estão presentes às seguintes substâncias:

  • Película-base (filme): proporciona estabilidade e  resistência à abrasão. São a nitrocelulose, os polímeros vinílicos e polímeros de metacrilatos.
  • Resina: proporciona brilho, permite a aderência às unhas e durabilidade. São o formaldeído, formaldeído-sulfonamida, a resina e o tolueno. 
  • Plastificante: confere maior flexibilidade e durabilidade do produto. Um exemplo é o dibujo.
  • Solventes e corantes: confere cor e aderência. São os acetatos, cetonas, xileno, tolueno e os pigmentos (orgânicos e inorgânicos).

Os endurecedores de unhas são preparações cosméticas utilizadas para dar maior resistência, para evitar que se quebrem. São produzidos com resina e solventes, que também podem causar reações alérgicas. 

Já os removedores contém acetona, acetato de etila, acetato de butila e álcool, capazes de provocar irritação e ressecamento nos dedos. Outras substâncias também podem estar associadas, mas com menor frequência, nos processos alérgicos, como pigmentos e metacrilatos.

Quais os sintomas da reação alérgica?

A causa da alergia a esmalte são um ou mais desses componentes, que ao entrar em contato com o corpo, gera uma resposta exagerada do sistema imunológico. 

Esse tipo de alergia se dá por estágios, conforme a tolerância do organismo, e nem sempre se manifestam apenas nas unhas e ao redor delas, mas também onde a mão toca, principalmente em locais mais sensíveis como lábios, pálpebras, face, queixo, pescoço, orelhas, entre outros. 

As reações podem ser mais intensas, se manifestando inclusive quando a pessoa estiver próxima de outras que pintaram as unhas ou até mesmo só de entrar em salões de beleza ou esmalteria. 

Como mencionado, esse tipo de dermatite de contato pode surgir em qualquer fase da vida, mesmo depois de muito tempo usando o esmalte.

Os principais sintomas são:

  • Unhas frágeis, que quebram com facilidade (não é uma regra);

 

  • Vermelhidão na pele, coceira, descamação e inchaço ao redor das unhas;
  • Irritação nos olhos, pele e no sistema respiratório causando falta de ar;
  • Aparecimento de vesículas (bolhas de água) que eliminam um líquido (exsudação) e secreção;
  • Liquenificação, em que ocorrem alterações do relevo da unha, além de ressecamento e fissuras das cutículas.

O que acaba dificultando o cotidiano da pessoa é que nem sempre todos os sintomas referidos aparecem. Às vezes, só um ou outro surge, o que não gera curiosidade para resolver o problema. 

Por isso, se verificar que as unhas estão fracas ou quebradiças sem motivo aparente ou mesmo perceber vermelhidão/coceira na pele, deve consultar o dermatologista assim que possível. 

Unhas fracas e quebradiças podem não ser sinônimo de alergia a esmalte e sim relacionadas a outros fatores menos graves, como unhas em gel que não foram bem aplicadas, alimentação deficiente de algum nutriente, falta de vitaminas, ou algo mais grave, a exemplo da anemia. 

Como é conduzido o diagnóstico?

Como os sintomas são muito inespecíficos é importante a avaliação de um dermatologista para conduzir o diagnóstico, que nem sempre é conduzido apenas com análise clínica e análise do histórico do paciente. 

Na maioria dos casos em que não há comprovação da alergia a esmalte é necessário fazer o teste de alergia (a pedido do dermatologista). O teste consiste na aplicação de substâncias já reconhecidas como alergênicas em determinadas regiões da pele. 

A substância age por um prazo de 24 a 48 horas, e após o término desse período, o médico irá avaliar se o teste foi positivo ou negativo para uma das substâncias aplicadas, a partir de sintomas como vermelhidão, coceira e aparecimento de bolhas. 

Caso o resultado do teste, o passo seguinte é definir um tratamento. Embora a alergia a esmalte não seja algo grave, é importante tratar para que ela não evolua e traga maiores desconfortos ao paciente.

Qual o tratamento?

A abordagem terapêutica visa controlar as crises alérgicas, de modo que o paciente não apresente os sintomas quando for exposto a algum dos agentes que causam a reação. 

Não há uma cura, mas sim o controle, que é feito a partir da prescrição de antialérgicos tópicos e orais. O tratamento sempre deve ser conduzido por um médico e vai depender da extensão e gravidade do quadro. 

O primeiro passo inclui a higienização para remover qualquer vestígio da substância irritante ou alérgeno que possa ter permanecido na região. Quando as lesões estão úmidas (geralmente na fase aguda) será necessário aplicar compressas de água fria secativas ou antissépticas. 

O tratamento tópico inclui cremes, loções e pomadas com corticosteróides em sua composição. O intuito é reduzir a irritação e inflamação da pele. Em casos mais graves (e raros), o médico pode substituir os corticosteróides por imunomoduladores tópicos ou ainda antialérgicos orais ou corticosteróides orais ou injetáveis. 

Para fortalecimento, são indicados hidratantes para as mãos que agem nas unhas e produtos específicos para ajudar na produção de queratina. Também é importante evitar a automedicação e o uso de produtos caseiros, pois nem sempre têm a eficácia comprovada e podem agravar o quadro de irritação.

Como prevenir?

Como não há uma cura definitiva para a alergia a esmalte, existem formas de evitar que as reações se manifestem. São elas:

  • Opte por esmaltes sem tolueno ou formaldeído, visto que esses são os principais químicos causadores da alergia a esmalte;
  • Troque a marca do esmalte, visto que alguns produtos podem ter componentes alergênicos e outros não;
  • Dê preferência a esmaltes próprios para pessoas com alergia, que não apresentam em sua composição substâncias que causam reações alérgicas;
  • Use esmalte removedor de esmalte hipoalergênico ao invés de acetona, pois ela pode agravar a reações de alergia; 
  • Trocar os esmaltes por adesivos para unha, que podem não ter o mesmo efeito, mas evitam quaisquer reações alérgicas. 

Quando procurar um dermatologista?

Basicamente quando surgir qualquer descamação, irritação ou lesão nas unhas, dedos ou nas mãos que possam ser condicionadas pelo uso de esmalte ou acetona, o médico deve ser consultado. Às vezes não é nada grave, mas é importante ter uma opinião profissional para levar uma vida saudável e sem grandes preocupações. 

Leia também: Cuidados com as Unhas: Como preservar a saúde delas.

 

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Dra. Juliana Toma – Médica Dermatologista pela Universidade Federal de São Paulo – EPM

Clínica no Jardim Paulista – São Paulo – SP

Dra. Juliana Toma

CRM-SP: 156490 / RQE: 65521. Médica Especialista em Dermatologia pela SBD. Residência Médica em Dermatologia pela UNIFESP - Universidade Federal de São Paulo. Pós-Graduação em Dermatologia Oncológica pelo Instituto Sírio Libanês. Pós-Graduação em Pesquisa Clínica - Principles and Practice of Clinical Research - Harvard Medical School (EUA).

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