Pitiríase rósea: O que é, sintomas e tratamento

Você já ouviu falar em pitiríase rósea? Apesar do nome estranho, a condição é bastante comum. Se trata de uma doença de pele marcada pelo aparecimento de manchas escamosas de coloração rósea-avermelhada[1]Miranda SM, Delmaestro D, Miranda PB, Filgueira AL, Pontes LF. Pitiríase rósea. Anais Brasileiros de Dermatologia. 2008 Oct;83(5):461-9. Disponível em: … Continue reading

Quanto aos seus sintomas, a patologia tem um quadro bem característico. Surge uma mancha grande, chamada mancha mãe, e ao redor dela se manifestam algumas lesões menores. A principal área do corpo afetada é o tronco e as alterações tendem a desaparecer sozinhas após um período de 6 a 12 semanas[2]Drago F, Broccolo F, Rebora A. Pityriasis rosea: an update with a critical appraisal of its possible herpesviral etiology. Journal of the American Academy of Dermatology. 2009 Aug 1;61(2):303-18.

O distúrbio pode afetar pessoas de todas as idades, porém, é mais comum em indivíduos de 10 a 35 anos. Geralmente a pitiríase rósea aparece uma única vez na vida, embora algumas pessoas manifestem a doença anualmente, tipicamente durante a primavera e o outono[3]Drago F, Ciccarese G, Rebora A, Broccolo F, Parodi A. Pityriasis rosea: a comprehensive classification. Dermatology. 2016;232(4):431-7.

Sua etiologia ainda é pouco conhecida, e ainda está em discussão. 

Por isso, é essencial o acompanhamento médico. O dermatologista irá auxiliar na diferenciação entre esta e outras condições de pele, no alívio dos sintomas e na plena recuperação da saúde da pele. 

É importante que você conheça melhor a condição e saiba quando procurar ajuda. 

A pitiríase rósea é uma doença eruptiva benigna que acomete a pele. A condição pode afetar crianças, adultos e idosos saudáveis, principalmente durante a primavera e o outono, estações marcadas por climas temperados. 

Descrita por Camille Melchior Gibert em 1860, é caracterizada por um curso evolutivo autolimitado e lesões peculiares, descritas como: de forma arredondada ou ovalada, eritêmato- pápulo-escamosas, distribuídas principalmente no tronco, geralmente com lesões menores ao redor de uma mancha maior. 

O termo que dá nome a condição deriva do grego, e significa escamas finas. O rósea vem da própria cor das lesões, que são róseas-avermelhadas. 

Causas

Como vimos ainda na introdução, pouco se sabe sobre a causa da doença. Contudo, alguns aspectos da sua epidemiologia e imunologia tem sido estudados e servido de direcionamento para uma maior compreensão da sua etiologia. 

A hipótese mais comum  é a infecciosa, a maior suspeita é de infecção viral, considerada por muitos autores a mais plausível. Porém, a dificuldade de identificar um possível agente causal torna complexa a confirmação. 

Outros trabalhos recentes apontam a pitiríase rósea como multifatorial, produzida por antígenos infecciosos ou não infecciosos (drogas). Inclusive, alguns deles, falam sobre uma possível susceptibilidade genética e provável auto-imunidade.

Nesses casos, poderiam desencadear a reação vacinas como a BCG, a HPV e medicamentos como ácido acetilsalicílico, barbitúricos, bismuto, captopril, clonidina, ouro, imatinib, isotretinoína, cetotifeno, levamisol, metronidazol, omeprazol, D-peniclamina e terbinafina, entre outros fatores.

Sintomas de pitiríase rósea

Sem dúvidas, as manchas rosadas são o principal sinal da doença. Tais lesões possuem entre 2 e 10 cm, e se posicionam de forma característica: várias manchas menores ao redor de uma maior. 

Além disso, podem surgir outros sintomas, como: 

  • Coceira ao redor das lesões
  • Febre acima de 38º
  • Dor de estômago, cabeça e articulações
  • Mal-estar e perda de apetite

 

As manifestações clínicas da doença se dividem em dois estágios.

Lesão clínica inicial

Também conhecida como medalhão ou placa mãe, a lesão inicial ocorre em 50% a 94% dos casos, é uma mancha única e solitária, ovalada, com crescimento centrífugo. 

Geralmente ela tem cerca de 10 cm e uma região mais clara no centro. Sua borda é rósea e com escamas finas. 

Este primeiro estágio dura de 7 a 14 dias, quando começam a surgir lesões menores ao redor da primeira. 

Erupção secundária

Também conhecida como rash secundário ou período eruptivo, a fase da erupção secundária é na verdade marcada pelo aparecimento de várias manchinhas, que medem entre 0,5 e 1,5 cm. 

São lesões eritêmato-pápulo-escamosas de aspectos semelhantes aos da placa mãe.

Normalmente este último estágio regride entre duas e quatro semanas, totalizando assim a evolução média da doença como 8 a 12 semanas. 

Em casos crônicos, o quadro pode se prolongar por até cinco meses, havendo risco de hipercromia, hipocromia e formação de cicatrizes.

Diagnóstico

Diante dos primeiros sintomas da doença, deve-se procurar a ajuda de um dermatologista. O diagnóstico da pitiríase rósea é relativamente simples, sendo importante diferenciá-la de outras condições similares como veremos mais adiante. 

O médico investigará a história da lesão mãe, bem como suas características peculiares. Notada a evolução para o rash pruriginoso e sem outros sintomas, o quadro leva a suspeita de pitiríase rósea.

Em casos de sintomas atípicos (não aparecimento da mancha mãe, por exemplo), ou quando a mancha maior estiver em fase inicial, a situação se torna um pouco mais complicada.

Por isso, podem ser necessários exames complementares como pesquisa de VDRL ou FTA-ABS para sífilis, sorologia para HIV e exame micológico da pele para descartar fungos.

Diagnóstico diferencial

Também passa a ser essencial o diagnóstico diferencial, já que algumas doenças podem ser confundidas com pitiríase rósea, são elas: 

  • Dermatofitoses (lesões fúngicas da pele), como Tinea corporis, Tinha versicolor
  • Sífilis secundária 
  • Psoríase gutata 
  • Erupção por fármacos
  • Parapsoríase
  • Pitiríase liquenoide crônica
  • Líquen plano

Como é feito o tratamento da pitiríase rósea

Pelo menos na maioria dos casos a doença regride mesmo sem intervenção, curando-se espontaneamente em algumas semanas.

O tratamento é indicado quando os sintomas se tornam mais incômodos ou mesmo para casos crônicos[4]Chuh AA, Dofitas BL, Comisel G, Reveiz L, Sharma V, Garner SE, Chu FK. Interventions for pityriasis rosea. Cochrane Database of Systematic Reviews. 2007(2). Disponível em: … Continue reading

Veja abaixo quais são as opções terapêuticas para pitiríase rósea:

Loções Tópicas

Geralmente são compostas por pomadas e cremes à base de corticoides de média potência, como hidrocortisona, mometasona e triancinolona. Loções com mentol ou calamina ajudam a minimizar o risco de efeitos colaterais dos corticoides[5]Drago F, Rebora A. Treatments for pityriasis rosea. Skin Therapy Lett. 2009 Mar 1;14(3):6-7.

Anti-histamínicos

Anti-histamínicos via oral também podem ser indicados. Eles ajudam a reduzir o prurido, que em muitos casos prejudica severamente a qualidade de vida do pacientes e pode acarretar até mesmo problemas com o sono.

Cremes emolientes

Os emolientes hidratam profundamente a pele, melhorando sua saúde, ajudando a controlar a irritação e favorecendo a cicatrização das lesões. 

Tratamento com raios UVB

Quando os sintomas não melhoram com a utilização dos produtos e medicamentos citados acima, o dermatologista pode recomendar o tratamento com UVB[6]Arndt KA, Paul BS, Stern RS, Parrish JA. Treatment of pityriasis rosea with UV radiation. Archives of dermatology. 1983 May 1;119(5):381-2.

A radiação ultravioleta contribui não só para o controle da coceira, como também para a recuperação das lesões, reduzindo o tempo de evolução da doença. 

Referências Bibliográficas

Referências Bibliográficas
1 Miranda SM, Delmaestro D, Miranda PB, Filgueira AL, Pontes LF. Pitiríase rósea. Anais Brasileiros de Dermatologia. 2008 Oct;83(5):461-9. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?pid=s0365-05962008000500011&script=sci_arttext
2 Drago F, Broccolo F, Rebora A. Pityriasis rosea: an update with a critical appraisal of its possible herpesviral etiology. Journal of the American Academy of Dermatology. 2009 Aug 1;61(2):303-18.
3 Drago F, Ciccarese G, Rebora A, Broccolo F, Parodi A. Pityriasis rosea: a comprehensive classification. Dermatology. 2016;232(4):431-7
4 Chuh AA, Dofitas BL, Comisel G, Reveiz L, Sharma V, Garner SE, Chu FK. Interventions for pityriasis rosea. Cochrane Database of Systematic Reviews. 2007(2). Disponível em: https://www.cochranelibrary.com/cdsr/doi/10.1002/14651858.CD005068.pub2/full
5 Drago F, Rebora A. Treatments for pityriasis rosea. Skin Therapy Lett. 2009 Mar 1;14(3):6-7.
6 Arndt KA, Paul BS, Stern RS, Parrish JA. Treatment of pityriasis rosea with UV radiation. Archives of dermatology. 1983 May 1;119(5):381-2.

Dra. Juliana Toma

CRM-SP: 156490 / RQE: 65521. Médica Especialista em Dermatologia pela SBD. Residência Médica em Dermatologia pela UNIFESP - Universidade Federal de São Paulo. Pós-Graduação em Dermatologia Oncológica pelo Instituto Sírio Libanês. Pós-Graduação em Pesquisa Clínica - Principles and Practice of Clinical Research - Harvard Medical School (EUA).

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