Unha preta – o que pode ser?

As alterações nas unhas que causam seu escurecimento estão muitas vezes associadas ao processo de envelhecimento natural ou a lesões. No entanto, em determinados casos esse sintoma pode indicar algum problema de saúde, como alterações hormonais, deficiência de nutrientes, infecção por fungos, entre outras enfermidades. 

O escurecimento se dá principalmente pela falta de oxigenação, capaz de alterar o processo de desenvolvimento das unhas, o que provoca a mudança na cor, formato e até seu deslocamento. 

Unhas saudáveis apresentam o aspecto branco transparente e a base rosada. Qualquer tonalidade diferente dessa já é algo para ligar o alerta e buscar o acompanhamento do dermatologista ou clínico que geral para avaliar, diagnosticar e começar o tratamento adequado. 

Conheça as principais causas de unha preta e saiba o que fazer. 

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Contusão

Mesmo uma pequena lesão pode fazer com que as unhas fiquem todas escurecidas, principalmente as dos pés. Essa contusão pode ser resultado de um impacto ou do atrito constante entre a unha e o sapato apertado. Geralmente começa como uma mancha preta ou roxa na parte de baixo e que toma toda a unha, podendo ou não causar dor latejante. 

Esse escurecimento ocorre pelo acúmulo de sangue, chamado hematoma subungueal. Em alguns casos, o sangue separa a unha do seu lugar e ela cai após algumas semanas. Uma nova cresce para substituir a caída. 

A opção para evitar que a unha caia é liberar o sangue, aliviando a dor e o escurecimento. O médico faz um pequeno orifício na ungueal (a parte dura da unha) com uma cânula ou fio aquecido para ocorrer a liberação. É um procedimento indolor e leva apenas alguns minutos. 

Unha encravada (onicogrifose)

Em determinados casos, a unha encravada, além da infecção, causa também seu escurecimento pelo mesmo motivo da contusão: o sangue preenche a parte de baixo, podendo levar a perda da unha. 

O encravamento ocorre quando uma das bordas cresce e penetra na pele em volta da unha. É mais comum com o primeiro dedo, comumente chamado de dedão. O problema se agrava quando há o aumento de pressão sobre a unha, causando inchaço, vermelhidão, aumento do sangue na parte de baixo e pus. 

A unha pode desencravar sozinha, mas pode levar algum tempo. O ideal é buscar ajuda profissional, que vai retirar o excesso de pele e reposicionar parte ungueal para seu devido lugar. Em pouco tempo, seu aspecto melhora, mas pode ser necessário o mesmo procedimento para tratar a contusão, como no tópico acima.

Onicomicose (Infecção fúngica – micose)

A onicomicose (micose na unha) é uma infecção causada por fungos que afetam a lâmina ungueal ou leito ungueal (e ou ambos). Atinge pessoas de todas as idades e é muito frequente. A maioria dos fungos que causam esse tipo de micose são dermatófitos, alimentando-se da pele e queratina. 

As unhas dos pés são 10 vezes mais afetadas em relação ás das mãos, por estarem em ambientes mais úmidos, escuros e quentes, favorável ao desenvolvimento dos fungos. 

Entre os riscos para o surgimento da onicomicose estão: 

  • Micose no pé;
  • Distrofia ungueal (encurvamento da unha);
  • Avanço da idade; 
  • Contágio por outra pessoa;
  • Traumas por sapato apertado; 
  • Aumento da pressão sobre os dedos, que causa o deslocamento da unha; 
  • Práticas de exercícios que causam muito atrito entre a unha e o calçado;
  • Doenças vasculares periféricas;
  • Problemas no sistema imunitário);
  • Diabetes;
  • Hipertensão;
  • Doentes hipocoagulados;
  • Uso de corta unhas e alicates sem estarem esterilizados;
  • Uso de esmaltes de outras pessoas.

Além disso, a onicomicose é contagiosa, por isso não se deve compartilhar calçados, meias, esmalte ou vernizes de unhas, cortadores, entre outros utensílios de manicure/pedicure sem esterilização. Também deve-se evitar andar descalço em ambientes úmidos.

A micose das unhas pode levar ao descolamento total ou parcial da unha (onicolise), seu engrossamento e o encravamento. 

Há cura e tratamento, conforme a gravidade da infecção e inclui desde medicação tópica ou local (Cloridrato de amorolfina, Ciclopirox, Tioconazol), medicação oral (Terbinafina, Latrocanazol, Fluconazol) e laserterapia que aquece e elimina o fungo.

Câncer de unha

A causa mais grave de unha preta é o câncer de unha, muitas vezes confundido com micoses. Dois tipos de câncer podem aparecer: melanoma da matriz e o carcinoma espinocelular. 

A manifestação, nos dois casos, é semelhante. Uma pequena mancha preta com bordas roxas aparece e aumenta de tamanho de forma lenta e gradual, diferente das manchas causadas por lesão, que aparecem em minutos ou horas após a pancada. 

O melanoma ocorre pela hiper atividade dos melanócitos, que escurece a matriz, que como consequência proliferam as células pigmentadas. 

Já o carcinoma, mais frequente, surge no leito da unha, como uma ferida que não cicatriza, causando inclusive o deslocamento da unha. Também pode aparecer na cutícula e no leito (embaixo da unha), acompanhado muitas vezes de sangramento.

A boa notícia é que há tratamento, que envolve principalmente a remoção cirúrgica da unha e do tecido afetado. Nos casos mais graves pode ser necessária a amputação do dedo, radioterapia e quimioterapia se houver metástase. Daí a importância do diagnóstico precoce. 

Unhas com listras escuras (Melanoníquia)

Ainda temos as unhas com linhas escuras. Geralmente só uma linha vertical, de tonalidade marrom ou roxa, que começa na base da unha e vai até a ponta, ficando mais larga com o tempo. 

É mais comum em pessoas de pele escura, por conta de algum catalisador, como medicação (antibióticos ou zidovudina). Também exige muita atenção, pois pode ser um dos primeiros sintomas do melanoma.

É importante consultar um dermatologista para avaliar a causa do aparecimento da Melanoníquia. Caso seja relacionada à medicação, será necessário mudar a formulação. Entretanto, se o desenvolvimento ocorrer ao longo do tempo, com mudanças de cor, forma ou tamanho, o médico vai avaliar o melhor tratamento.

Independente do tipo de mancha que surgir causando a unha preta, é importante buscar ajuda do dermatologista ou clínico geral para observar sua condição. Com visto, quanto mais cedo for identificada a natureza, melhor a resposta ao tratamento. Isso vale para os casos mais simples e os mais graves, por isso não deixe para realizar uma consulta tardia. 

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Dra. Juliana Toma – Médica Dermatologista pela Universidade Federal de São Paulo – EPM

Clínica no Jardim Paulista – São Paulo – SP

Dra. Juliana Toma

CRM-SP: 156490 / RQE: 65521. Médica Especialista em Dermatologia pela SBD. Residência Médica em Dermatologia pela UNIFESP - Universidade Federal de São Paulo. Pós-Graduação em Dermatologia Oncológica pelo Instituto Sírio Libanês. Pós-Graduação em Pesquisa Clínica - Principles and Practice of Clinical Research - Harvard Medical School (EUA).

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