ARTIGO

Siringomas: O que são?

Siringomas são pequenos tumores benignos que se formam em decorrência do aumento de ductos intra-epidérmicos responsáveis pela produção de suor. 

O distúrbio se caracteriza pelo aparecimento de pequenas pápulas cor de pele que podem ser múltiplas ou isoladas. Essas lesões aparecem principalmente na face, em especial na região das pálpebras. Contudo, podem surgir ainda no pescoço, no tórax, nos glúteos e nas áreas genitais. 

Aparentemente, existem fatores genéticos associados ao problema. A doença é mais comum em indivíduos brancos, principalmente em mulheres e pode aparecer em qualquer idade. 

É bem provável que você já tenha visto um caso de siringoma por aí e não sabia do que se tratava. Informe-se, aprenda a identificar a doença e saiba como se cuidar e se precaver. Continue a leitura para saber mais.

Os siringomas são lesões bastante típicas: pequenas pápulas cor da pele de aproximadamente 5 mm, geralmente múltiplas e assintomáticas.

O que são Siringomas?

Os siringomas são tumores completamente inofensivos provocados pelo crescimento em excesso de algumas células das glândulas sudoríparas. No que diz respeito a composição, são células gordurosas, cor da pele que dão origem a pequenas pápulas que não coçam, nem doem.

Histopatologicamente, o siringoma é visto como uma proliferação de pequenos ductos. As suas paredes são revestidas por fileiras duplas de células epiteliais achatadas, em um estroma fibroso, localizadas na derme papilar e reticular superior. Alguns desses canais aparentam girinos, devido a uma pequena cauda em formato de vírgula. 

Existe uma possível classificação para as variações clínicas do siringoma, ainda pouco utilizada, mas que vale a pena ser reconhecida e apresentada. O distúrbio é classificado em quatro formas: localizada, familiar, generalizara e associada à Síndrome de Down. 

É provável que apareçam novas classificações, já que outras formas tem sido estudadas recentemente. 

Siringomas eruptivos

Os siringomas eruptivos merecem ser descritos separadamente. A condição, inclusa na forma generalizada da doença, apesar de menos comum, geralmente aparece em pessoas de pele mais escura. 

O quadro é marcado por lesões múltiplas espalhadas pelo corpo, em especial no tórax e no abdômen. 

Na maioria das vezes, aparece abruptamente na adolescência, se disseminando rapidamente. A doença tende a se manifestar em surtos, que ainda são um grande desafio a nível de tratamento.

Características clínicas

Os siringomas são lesões bastante típicas: pequenas pápulas cor da pele de aproximadamente 5 mm, geralmente múltiplas e assintomáticas. 

Dentre as regiões mais afetadas, o rosto merece destaque, particularmente as pálpebras e regiões periorbitárias. Além destas, outras áreas devem ser citadas como tórax, pescoço, glúteos e zonas pubianas e vulvares. 

Quando próxima as genitais, costumam aparecer em forma de múltiplas lesões e podem ocasionar prurido. 

Embora se trate de uma condição puramente estética, ou seja, inofensiva a nível de saúde, os siringomas tendem a afetar significativamente a aparência das pessoas acometidas. 

Por isso, diante de qualquer sinal do problema, recomendamos uma consulta com um dermatologista de sua confiança para diferenciação e acompanhamento do quadro. 

Caso haja necessidade de tratamento, este é também o médico responsável por indicar qual o melhor método, garantindo a segurança do paciente e um excelente prognóstico.

Fatores de Risco 

Não se sabe exatamente qual a causa dos siringomas. Contudo, um forte fator genético está associado, o que pode ser facilmente compreendido a partir de sua prevalência, mulheres de pele clara. 

Sendo assim, apesar de sua origem desconhecida, não há dúvidas que algumas pessoas são definitivamente mais propensas a desenvolver a condição do que outras. 

Será que você faz parte do grupo de risco?

Veja abaixo: 

  • Mulheres são mais propensas a siringomas do que homens independente da idade
  • Indivíduos de pele clara são mais vulneráveis 
  • Pessoas de raças asiáticas ou afro-americanas quando afetadas tendem a desenvolver siringomas eruptivos 
  • Indivíduos que suam muito geralmente são mais predispostos ao problema
  • O desequilíbrio hormonal comum ao período da puberdade e da menopausa também favorecem o aparecimento dessas pápulas 
  • Condições médicas subjacentes aumentam o risco de siringomas: Síndrome de Down, diabetes e síndrome de Ehler-Danlos

Como em outros distúrbios, estar no grupo de risco não quer dizer que irá desenvolver a doença, apenas que deve ficar um pouco mais atento aos seus sintomas e se possível, colocar em prática medidas preventivas. Falaremos mais sobre isso adiante.

Diagnóstico

Em geral, o diagnóstico do siringoma é predominante clínico e histológico. Exames laboratoriais são raramente necessários. 

A consulta dermatológica tem início com a anamnese, uma breve conversa entre médico e paciente, onde o paciente tem oportunidade de expor sua queixa e os demais fatores relacionados ao problema apresentado. 

O especialista fará algumas perguntas, que juntamente com o exame clínico das lesões, tem como objetivo descartar outros distúrbios de pele possíveis. 

Além de seu histórico de saúde, serão requeridas informações como: 

  • Quando você percebeu os sintomas?
  • Você sente dor ou alteração da sensibilidade na área afetada?
  • As lesões coçam?
  • As pápulas estão presentes em outras partes do corpo?
  • Existem fatores de melhora ou piora?

Com essas informações, é feito então o diagnóstico diferencial da doença, que geralmente inclui: 

Lesões xantelasmLesões xantelasma

O xantelasma é formado pela deposição de gordura e colestrol abaixo da superfície da pele, e também aparece com frequência na região ao redor dos olhos. Clinicamente, o quadro é percebido pela formação de bolsas amareladas salientes sobre as pálpebras.

Mílios

Os milios são pequenos cistos localizados na epiderme, região mais superficial da pele. Essas lesões, formadas por queratina, também aparecem predominantemente em zonas periorbitais, mas podem surgir em qualquer lugar do corpo. O distúrbio é bastante comum em recém-nascidos, contudo, é ainda frequente em qualquer idade quando por algum motivo a pele passa um processo de cicatrização. 

Clinicamente, a diferenciação entre as doenças pode ser desafiadora, contudo, histopatologicamente elas são distintas, e por isso, facilmente identificadas. 

A compreensão de que tipo de doença se trata o seu problema é importante para um possível tratamento, vamos falar mais sobre isso no próximo tópico. 

Como tratar Siringomas

Assim que perceber os primeiros sinais de siringomas, procure um dermatologista. Após o diagnóstico do distúrbio, será então avaliada a necessidade de tratamento, que depende muito da localização das lesões e dos incômodos estéticos provocados por elas. 

Para aqueles que optam pelo tratamento existem excelentes opções. A escolha do melhor método deve ser realizada em parceria entre o médico e seu paciente, e leva em consideração a extensão das lesões e o fototipo da pele do indivíduo tratado.

Muitos profissionais optam pela associação de diferentes técnicas, uma servindo para potencializar os benefícios da outra, gerando um resultado estético de maior sucesso. 

Dentre os principais métodos utilizados podemos citar: Laser de CO2, Eletrocauteração, Cauterização Química, Dermoabrasão e Remoção Cirúrgica. 

Vamos entender melhor como funcionam cada um desses tratamentos?

Laser de CO2

A terapia com laser de dióxido de carbono é muito utilizada nos mais diversos tratamentos para pele. Você provavelmente já ouviu falar nela como um método de rejuvenescimento cutâneo. 

O CO2 provoca um processo inflamatório na pele, que estimula a produção de colágeno e a cicatrização, corrigindo lesões como os siringomas. 

Este tratamento é indicado para os mais diversos tipos de pele, desde que ajustado de maneira apropriada para cada um deles. 

O procedimento é realizado em consultório sob anestesia local, geralmente um anestésico tópico de alta absorção. A sua duração varia bastante de acordo com o tamanho da área tratada. 

Embora cada organismo responda ao tratamento a sua maneira, a recuperação costuma ser bastante tranquila. A pele se recupera em aproximadamente três dias, o uso de protetor solar é muito importante. Como a pele pode ficar sensibilizada, o uso de água termal pode ser recomendado para aliviar desconfortos.

Eletrocauterização 

A eletrocauterização é um procedimento muito utilizado para tratar hiperplasias sebáceas, como é o caso dos siringomas. 

A técnica consiste na remoção cirúrgica destrutiva das lesões. O material removido pode ainda ser enviado para análise patológica em caso de necessidade. Geralmente, para o siringoma, este estudo mais aprofundado não é necessário.

O procedimento tem início com a limpeza do local da incisão, seguida pela injeção de um anestésico. Em alguns casos, é aplicado também um vasoconstritor, que ajuda a conter possíveis sangramentos. A lesão é então carbonizada por eletricidade e calor. 

A recuperação é rápida e bastante tranquila, apesar da técnica levemente invasiva. Normalmente, o paciente pode retornar as suas atividades rotineiras no mesmo dia, sendo ele orientado a ter alguns cuidados com o ferimento por até 10 dias. 

Esses cuidados são simples, uma limpeza cautelosa da região tratada, evitar exposição solar e suspender a utilização de qualquer produto abrasivo. 

Cauterização química

A cauterização química é um processo similar a eletrocauterização. Contudo, enquanto na eletrocauterização é utilizada eletricidade e calor, na cauterização química a remoção é feita por meio da aplicação de uma substância cáustica ou ácida, geralmente, o ácido tricloroacético.

Após a limpeza da área a ser tratada, é aplicado um anestésico com fim de evitar qualquer desconforto. É comum que a lesão se torne esbranquiçada ou amarelada devido à ação da substância. 

Nos dias que seguem ao procedimento a pele pode permanecer avermelhada, irritada e até inchada. A área vai se tornando mais enrijecida devido à morte celular. Os sinais da cauterização devem desaparecer completamente duas semanas após sua realização. 

Não há necessidade de tratamentos adicionais, contudo, são recomendados alguns cuidados com a pele, basicamente os mesmo citados anteriormente. Dependendo da lesão, podem ser indicadas mais de uma sessão.  

Dermoabrasão

A dermoabrasão é um procedimento de lixamento da pele. A técnica promove a retirada das camadas mais externas do tecido cutâneo, e juntamente com elas, remove lesões, asperezas e cicatrizes. 

O método pode ser realizado em consultório ou em ambientes hospitalares, manualmente ou com aparelhos. Geralmente, é realizada aplicação de anestesia local para evitar qualquer desconforto. 

Após o tratamento, a pele pode aparecer avermelhada e inchada. Além disso, é comum que ocorra a formação de crostas nas áreas tratadas e em regiões adjacentes. Tais sintomas são normais e esperados, por isso, não são motivos para preocupação. 

A ação da dermoabrasão permanece ainda depois do tratamento. A terapia estimula o remodelamento do colágeno, que é responsável por preencher espaços vazios na pele. 

Durante a recuperação é muito importante que sejam seguidas todas as recomendações médicas: evitar exposição solar, utilizar filtros físicos e químicos, etc. Pacientes de pele escura, devem ter ainda mais cuidado.

A pele volta a sua aparência saudável, e agora, sem lesões, gradualmente nos dias que seguem. Essa recuperação pode durar de 8 a 12 semanas. 

Embora seus resultados sejam de longo prazo, podem ser necessários retoques, que devem ser avaliados e indicados pelo próprio dermatologista.

Remoção cirúrgica

O tratamento de siringomas profundos costumam requerer uma intervenção cirúrgica mais invasiva. Esta é também a opção terapêutica indicada para recidivos, pois quanto mais invasivo o método, menor o risco de recorrência. 

Os resultados da cirurgia são bastante satisfatórios. Complicações são raras e se seguidas corretamente as orientações médicas, a pele aos poucos vai desenvolvendo um aspecto saudável e belo.

A excisão cirúrgica é um dos principais procedimentos utilizados para remover lesões na pele, sejam elas benignas ou malignas. O processo de remoção é feito com um bisturi, que remove até a camada gordurosa da pele, geralmente sob anestesia local. A sua recuperação dura de 7 a 14 dias, quando são removidos os pontos da área tratada.

De maneira geral, todos os tratamentos aqui apresentados costumam produzir excelentes resultados estéticos. Além de tratarem siringomas e outros distúrbios, eles contribuem para renovação celular, minimizando os reflexos do envelhecimento da pele. 

Contudo, estamos falando de um distúrbio de origem desconhecida e difícil de controlar. Diante disso, podem ocorrer recidivas, que irão requerer novas abordagens.

É possível prevenir

Ainda não há um recurso capaz de impedir que novas lesões apareçam em pacientes predispostos ao problema, da mesma forma, não existe um tratamento preventivo para siringoma. 

Se você por algum motivo faz parte do grupo de risco, fique atento aos sintomas, e diante de qualquer sinal da doença, consulte um dermatologista de sua confiança.

 

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