Siringomas: O que são? Como tratar?

Siringomas são pequenos tumores benignos que se originam nas glândulas sudoríparas, responsáveis pela produção de suor. 

Essa condição se caracteriza pelo aparecimento de pequenas pápulas, cor da pele, que podem ser múltiplas ou isoladas. Essas lesões aparecem principalmente na face, em especial na região ao redor dos olhos. Contudo, podem surgir em outras partes do corpo. 

Aparentemente, existem fatores genéticos associados ao problema. A doença é mais comum em indivíduos brancos, principalmente em mulheres jovens. 

É bem provável que você já tenha visto um caso de siringoma por aí e não sabia do que se tratava. Informe-se, aprenda a identificar a doença e saiba como se cuidar e se precaver. Continue a leitura para saber mais.

Os siringomas são lesões bastante típicas: pequenas pápulas cor da pele de aproximadamente 5 mm, geralmente múltiplas e assintomáticas.

O que são Siringomas?

Os siringomas são tumores inofensivos provocados pelo crescimento em excesso de algumas células das glândulas sudoríparas. São lesões da cor da pele que dão origem a pequenas pápulas que não coçam, nem doem.

Podem ser classicadas em

Localizados
Generalizados
Familiar
Associada à Síndrome de Down.

Características clínicas

Os siringomas são lesões bastante típicas: pequenas pápulas cor da pele de aproximadamente 5 mm, geralmente múltiplas e assintomáticas. 

Dentre as regiões mais afetadas, o rosto merece destaque, particularmente as pálpebras e regiões periorbitárias. Além destas, outras áreas devem ser citadas como tórax, pescoço, glúteos e zonas pubianas e vulvares. 

Quando próxima as genitais, costumam aparecer em forma de múltiplas lesões e podem ocasionar prurido. 

Embora se trate de uma condição puramente estética, ou seja, inofensiva a nível de saúde, os siringomas tendem a afetar significativamente a aparência das pessoas acometidas. 

Por isso, diante de qualquer sinal do problema, recomendamos uma consulta com um dermatologista de sua confiança para diferenciação e acompanhamento do quadro. 

Caso haja necessidade de tratamento, este é também o médico responsável por indicar qual o melhor método, garantindo a segurança do paciente e um excelente prognóstico.

Siringomas eruptivos

Os siringomas eruptivos merecem ser descritos separadamente. Apesar de menos comum, geralmente aparece em pessoas de pele mais escura, na adolescência, com história familiar. 

O quadro é marcado por lesões múltiplas, espalhadas pelo corpo, em especial no tórax e no abdômen. 

Na maioria das vezes, aparece abruptamente na adolescência, se disseminando rapidamente. A doença tende a se manifestar em surtos, que ainda são um grande desafio a nível de tratamento.

Diagnóstico

Em geral, o diagnóstico do siringoma é predominantemente clínico e histológico. Exames laboratoriais são raramente necessários. 

Geralmente o médico dermatologista faz o diagnóstico apenas com o exame clínico da lesão. 

 

No entanto, diversas lesões podem ser parecidas com o siringoma e fazem diagnóstico diferencial, são eles: 

Xantelasma

O xantelasma é formado pela deposição de gordura nas células da pele, resultando em pápulas ou placas, amareladas ou alaranjadas, localizado  na região ao redor dos olhos. Frequentemente associado a dislipidemia. Leia mais sobre xantelasma aqui.

Mílios

As mílias ou mílios ou milium são pequenos cistos localizados na epiderme, região mais superficial da pele. Essas lesões são compostas por queratina. Também aparecem predominantemente ao redor dos olhos, mas podem surgir em qualquer lugar do corpo. As lesões podem ocorrer em recém-nascidos e resolve-se espontaneamente nas primeiras semanas de vida. Podem ocorrer quando por algum motivo a pele passa um processo de cicatrização, após procedimentos estéticos. 

Hiperplasia sebácea

A hiperplasia sebácea é uma lesão pequena, amarelada, com depressão central, frequentemente encontrada na face. Ocorre devido ao aumento das glândulas sebáceas, que se tornam mais volumosas. Podem estar associadas a idade, exposição solar, e pessoas que usam ciclosporina. Leia mais sobre hiperplasia sebácea aqui.

Xantogranuloma necrobiótico

É uma doença rara, multissitêmica que afeta pessoas de 60 anos, que acomete o fígado, o baço, cursa com gamopatia IgG monoclonal. Apresenta nódulos e placas firmes de coloração amarela na região periorbital, sítio mais comumente afetado.

Clinicamente, a diferenciação entre as doenças pode ser desafiadora, contudo, histopatologicamente elas são distintas. Por isso, caso o médico dermatologista julgar necessário, pode realizar uma biópsia da lesão e mandar o material para exame anatomopatológico para confirmar o diagnóstico. 

O diagnóstico é importante para a escolha do melhor tratamento e acompanhamento. Vamos falar sobre isso?

Como tratar Siringomas?

Existem diferentes métodos utilizados que visam a destruição ou remoção das lesões  de siringoma.

Dentre os principais métodos utilizados podemos citar: Eletrocauterização, Cauterização Química,  Laser e Remoção Cirúrgica. 

A escolha do melhor método, que podem, inclusive, serem associados, depende de alguns fatores:

localização das lesões
número de lesões
extensão das lesões
cor da pele

A escolha do melhor método deve ser realizada em parceria entre você e o seu médico.

Independente do método escolhido, é sempre importante ter em mente, que o processo de cicatrização é individual. Algumas pessoas podem evoluir com uma mancha residual, cicatriz hipertrófica ou cicatriz deprimida.

Importante lembrar, que se for optado pela destruição da lesão, através de ‘laser’, eletrocauterização ou  destruição química com ácido, algumas sessões podem ser necessárias para que as lesões sejam totalmente eliminadas. E que uma vez eliminadas, elas podem recidivar.

 

Vamos entender melhor como funcionam cada um desses tratamentos?

Remoção cirúrgica

Após infiltração anestésica, consiste em excisar a lesão por completo, através de shaving, tesoura de castroviejo ou bisturi. Nem sempre há necessidade de suturar as bordas. Pode-se deixar cicatrizar por segunda intensão, isto é, espontaneamente.

A recuperação dura de 7 a 14 dias.

Dependendo do número de lesões, se forem muito numerosas, o tratamento pode ser realizado em uma ou mais etapas.

Este método mais invasivo apresenta menor risco de recorrência, com a vantagem de não precisar de algumas sessões. 

Uma vez seguidas corretamente as orientações médicas, a pele gradualmente vai desenvolvendo um aspecto saudável e belo.

 

Eletrocauterização 

A eletrocauterização é um procedimento utilizado para tratar hiperplasias sebáceas, xantelasma e siringomas. 

O procedimento tem início com a limpeza do local, seguida pela injeção de um anestésico. Em alguns casos, é aplicado também um vasoconstritor, que ajuda a conter possíveis sangramentos. A lesão é então carbonizada por eletricidade e calor. 

 Normalmente, o paciente pode retornar as suas atividades rotineiras no mesmo dia, sendo ele orientado a ter alguns cuidados com o ferimento.

Esses cuidados são simples, uma limpeza cautelosa da região tratada, evitar exposição solar e suspender a utilização de qualquer produto abrasivo. 

Posteriormente, formam-se pequenas crostas que caem sozinhas. As lesões cicatrizam em torno de 7 a 10 dias.

 

Cauterização química

A cauterização química é um processo similar a eletrocauterização. Contudo, enquanto na eletrocauterização é utilizada eletricidade e calor, na cauterização química a remoção é feita por meio da aplicação de uma substância cáustica ou ácida, geralmente, o ácido tricloroacético.

Após a limpeza da área a ser tratada, é aplicado a substância. É comum que a lesão se torne esbranquiçada ou amarelada devido à ação da substância. 

Nos dias que seguem ao procedimento a pele pode permanecer avermelhada, irritada e até inchada. A área vai se tornando mais enrijecida devido à morte celular, com formação de crosta. Os sinais da cauterização devem desaparecer completamente duas semanas após sua realização. 

São recomendados alguns cuidados com a pele, basicamente os mesmo citados anteriormente. Dependendo da lesão, podem ser indicadas mais de uma sessão.  

Laser 

Normalmente os lasers mais usados são o CO2 ou o Erbium YAG.

A terapia com laser é muito utilizada nos mais diversos tratamentos para pele. Você provavelmente já ouviu falar nela como um método de rejuvenescimento cutâneo. 

O CO₂ ou Erbium YAG provoca um processo inflamatório na pele, que estimula a produção de colágeno e a cicatrização, melhorando lesões como os xantelasma. 

Este tratamento é indicado para as peles mais claras e deve ser ajustado de maneira apropriada. 

O procedimento é realizado em consultório sob anestesia local, geralmente um anestésico tópico de alta absorção. 

Embora cada organismo responda ao tratamento a sua maneira, a recuperação costuma ser o fator limitante. Visto que a pele pode ficar edemaciada nos primeiros dias, com uma textura e coloração diferentes. Depois inicia-se um processo de renovação celular e descamação. O período de recuperação da pele pode demorar 7 a 10 dias. 

O uso de protetor solar e hidratação da pele é muito importante no período pós laser. Como a pele pode ficar sensibilizada, o uso de água termal ou compressas com água gelada são recomendadas para aliviar desconfortos.

É possível prevenir?

Ainda não há um recurso capaz de impedir que novas lesões apareçam em pacientes predispostos ao problema, da mesma forma, não existe um tratamento preventivo para siringoma. 

Se você por algum motivo faz parte do grupo de risco, fique atento aos sintomas, e diante de qualquer sinal da doença, consulte um dermatologista de sua confiança.

 

Recidivas podem ocorrer e, neste caso, irão requerer novas abordagens.

Referências bibliográficas:

Bagatin E, Enokiahara MY, Souza PK. Siringomas periorbitários – excisão com tesoura de castroviejo: experiência em 38 pacientes e revisão da literatura. An. Bras. Dermatol. 81 (4) • Ago 2006
Mackie RM, Calonje E. Tumors of the skin appendages. In: Burns DA, SM Breathnach SM, Cox N, Griffiths CE, editors. Rook’s textbook of dermatology. Oxford: Blackwell Science; 2004. p.34.1-37.
Langtry JAA, Carruthers A. True electrocautery in the treatment of syringomas and other benign cutaneous lesions. J Cutan Med Surg. 1977;2:60-3

 

Agende uma avaliação através do nosso WhatsApp

Dra. Juliana Toma – Médica Dermatologista pela Universidade Federal de São Paulo – EPM

Clínica no Jardim Paulista – São Paulo – SP

Dra. Juliana Toma

CRM-SP: 156490 / RQE: 65521. Médica Especialista em Dermatologia pela SBD. Residência Médica em Dermatologia pela UNIFESP - Universidade Federal de São Paulo. Pós-Graduação em Dermatologia Oncológica pelo Instituto Sírio Libanês. Pós-Graduação em Pesquisa Clínica - Principles and Practice of Clinical Research - Harvard Medical School (EUA).

Deixe o seu comentário

Abrir chat
Agende sua avaliação