Vitiligo:
controle e tratamento

O cuidado com vitiligo pode buscar controlar novas manchas e estimular repigmentação nas áreas escolhidas.

Neste artigo

Áreas de pele que perdem a cor podem ser avaliadas para entender a causa e as opções de cuidado. No vitiligo, o acompanhamento considera a evolução das manchas e o que você deseja: estabilidade, recuperação de pigmento ou orientação para conviver com a pele de forma confortável. [1]American Academy of Dermatology. Vitiligo: diagnosis and treatment. https://www.aad.org/public/diseases/a-z/vitiligo-treatment O vitiligo não é contagioso. Cremes, fototerapia e outras abordagens podem ajudar a estabilizar as manchas e recuperar pigmento. A escolha parte de duas perguntas: há áreas novas surgindo e quais regiões você deseja tratar? Essa diferença organiza as prioridades desde a primeira consulta.  A seguir, entenda como o diagnóstico é feito e o que muda entre tratamento localizado, fototerapia e procedimentos.

Uma área clara pode ter causas diferentes. Conte se houve irritação antes de a cor mudar e se existe descamação; esses detalhes ajudam a diferenciar vitiligo de outras alterações de pigmentação.

No exame, o dermatologista observa os limites e a distribuição das áreas claras e pode usar iluminação específica para enxergar melhor a perda de pigmento. Para conhecer outras causas, veja manchas na pele e o guia de diagnóstico diferencial de manchas.

Resposta direta

O que a consulta pode organizar no vitiligo?

A consulta identifica o padrão das áreas claras, verifica se estão mudando e conversa sobre seus objetivos. No vitiligo, o plano pode buscar estabilidade e recuperação de cor, além de orientar proteção e acompanhamento; você participa da escolha de tratar ou observar.

Vitiligo e cuidado da pele

Conheça as opções de cuidado para o vitiligo.

A avaliação considera onde estão as áreas claras, quando surgiram e se continuam aumentando. Esse histórico orienta os cuidados e a conversa sobre tratamento.

Vitiligo

O que define controle e repigmentação

Atividade, localização e tempo de evolução mostram o que priorizar: controlar áreas novas ou recuperar cor nas manchas já presentes.

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Atividade

Manchas novas ou aumento rápido indicam doença ativa e mudam a prioridade do controle.

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Local

A região orienta a escolha: uma mesma pessoa pode acompanhar respostas diferentes no rosto, nas mãos e nos pés.

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Fotoproteção

Proteger a pele reduz contraste, queimadura e irritação nas áreas despigmentadas.

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Tratamento

Cremes, fototerapia e associações são escolhidos conforme extensão, idade e estabilidade.

Ponto central

A avaliação separa estabilização da doença, repigmentação possível e acompanhamento de longo prazo.

Fonte desta explicaçãoAmerican Academy of Dermatology

A referência aborda proteção solar da pele despigmentada e prevenção de queimaduras no vitiligo.

Vitiligo: cuidado e proteção da pele (em inglês)
Vídeo relacionado

Assista: Tratamentos para vitiligo

A Dra. Juliana explica opções para controlar a atividade e estimular a recuperação da cor da pele.

vitiligo tem cura

O que é vitiligo?

O vitiligo é uma condição de perda de pigmento em áreas da pele, relacionada à redução ou ausência dos melanócitos, células que produzem melanina. As manchas podem ficar localizadas ou envolver várias regiões, como rosto, mãos, pés, cotovelos, joelhos e virilha. Pelos e cabelos da área também podem clarear; em algumas pessoas, mucosas como o interior da boca são afetadas[2]Halder RM, Chappell JL. Vitiligo update. InSeminars in cutaneous medicine and surgery 2009 Jun 30 (Vol. 28, No. 2, pp. 86-92). WB Saunders..

O sistema imunológico participa da perda dos melanócitos, especialmente no vitiligo não segmentar. A avaliação considera a história da pele e a saúde geral, incluindo condições autoimunes já conhecidas.  A predisposição genética também participa. Ter um familiar com vitiligo é uma informação útil, mas muitas pessoas com a condição não têm outros casos na família.  Existem basicamente dois tipos de vitiligo:

Segmentar ou unilateral 

Inicia em apenas uma parte do corpo, geralmente as primeiras manchas surgem na juventude, e pelos e cabelos também podem perder sua cor característica.

Não segmentar ou bilateral

É o tipo mais frequente e tem como principal característica a manifestação simétrica nos dois lados do corpo, como as duas mãos ou os dois cotovelos.  A evolução varia: podem ocorrer períodos de estabilidade e períodos com manchas novas ou aumento das existentes. Fotos datadas ajudam a reconhecer essas mudanças, inclusive quando uma região permanece igual e outra começa a perder cor.

Como não é causado por nenhum microorganismo como bactérias ou vírus, o vitiligo não pode ser transmitido de uma pessoa para outra. Não há riscos de contágio quando há o toque ou relação sexual com a pessoa portadora de vitiligo[3]Yaghoobi R, Omidian M, Bagherani N. Vitiligo: a review of the published work. The Journal of dermatology. 2011 May;38(5):419-31..

Como é conduzido o diagnóstico?

O diagnóstico é essencialmente clínico, em que o dermatologista irá avaliar o padrão do surgimento e aumento das manchas, bem como o histórico familiar do paciente. Conte quando percebeu a primeira área clara e se há familiares com alterações semelhantes.  A lâmpada de Wood pode destacar os limites das áreas despigmentadas durante o exame. A biópsia fica reservada a situações em que a aparência e a história deixam dúvida sobre o diagnóstico[4]Zhang XJ, Chen JJ, Liu JB. The genetic concept of vitiligo. Journal of dermatological science. 2005 Sep 1;39(3):137-46..  Exames de sangue são escolhidos conforme o histórico e os achados da consulta, por exemplo para avaliar a tireoide quando indicado. Leve exames anteriores e informe diagnósticos e medicamentos em uso; isso ajuda a planejar a investigação necessária.

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O cuidado começa na avaliação

Seu plano para acompanhar o vitiligo

O cuidado com vitiligo pode buscar controlar novas manchas e estimular repigmentação nas áreas escolhidas. A consulta avalia atividade, localização e evolução para discutir as opções e organizar o acompanhamento conforme o que você deseja tratar.

  1. Evolução
  2. Localização
  3. Sua preferência
Da alteração ao tratamento
Entender a alteração
Cor, distribuição, textura e sintomas ajudam a distinguir problemas que parecem semelhantes.
Escolher o cuidado
O tratamento tem um alvo: aliviar sintomas, controlar a causa ou melhorar uma característica da pele.
Rever a resposta
A evolução mostra o que melhorou e se o cuidado precisa continuar ou ser ajustado.

O vitiligo pode ser controlado? Quais os tratamentos?

Sim, em muitos casos é possível controlar atividade e buscar repigmentação parcial. A escolha depende de idade, velocidade de progressão, extensão, localização das manchas, fototipo, doenças associadas e impacto na vida do paciente.

Para comparar a evolução, escolha algumas áreas de referência e fotografe-as na mesma posição e iluminação. No retorno, mostre quais manchas ficaram estáveis, quais aumentaram e onde surgiram pequenos pontos de cor. A comparação por região ajuda a avaliar a resposta ao plano.

Medicamentos e fototerapias (utilizando a luz) estão disponíveis para ajudar a restaurar a cor da pele, no entanto, os resultados variam conforme o caso e a resposta depende da área, da atividade da doença e do tratamento escolhido[5]Passeron T, Ortonne JP. Physiopathology and genetics of vitiligo. Journal of autoimmunity. 2005 Jan 1;25:63-8.. O acompanhamento verifica a resposta e a tolerância para ajustar o plano. Maquiagem de camuflagem também é uma opção para quem deseja uniformizar a aparência, com ou sem tratamento médico.

Além dos tratamentos citados, o dermatologista pode recomendar cirurgia ou a combinação de abordagens. Seu médico pode também recomendar um medicamento aplicado à pele como terapia de manutenção para ajudar a prevenir recaídas. Vamos aos principais tratamentos:

Medicação

Os medicamentos têm funções diferentes: alguns são aplicados diretamente nas áreas claras para estimular a repigmentação; outros podem ser usados por via oral para controlar progressão rápida. O plano especifica qual região recebe cada produto e como ele se combina com a fototerapia. 

  • Corticoides tópicos – cremes ou pomadas prescritos para determinadas áreas e por tempo definido. A orientação deve indicar quantidade, frequência e data de revisão; o uso prolongado pode afinar a pele, por isso a duração faz parte da receita. No retorno, a pele é examinada junto com a recuperação de cor.
  • Os corticosteróides também podem ser administrados por comprimidos ou injeções nos casos em que a condição está progredindo rapidamente.
  • Inibidores da calcineurina — tacrolimus em pomada (Protopic) e pimecrolimus em creme (Elidel) atuam na resposta imunológica local e podem ser prescritos para recuperar cor em áreas delimitadas, especialmente na face e no pescoço. Região, frequência de aplicação e tolerância orientam o acompanhamento.

Terapias

Fototerapia

A fototerapia com ultravioleta B de banda estreita (UVB) pode interromper ou retardar a progressão da doença quando ativa. É útil em casos selecionados quando associada aos corticosteróides e inibidores da calcineurina.  As sessões costumam ser repetidas durante a semana, com frequência e dose definidas pelo protocolo. A recuperação de cor é gradual e acompanhada ao longo dos meses, sem um prazo único para encerrar o tratamento. Informe vermelhidão intensa, ardor ou desconforto persistente antes da próxima sessão para a equipe revisar a dose. 

Combinando psoraleno e fototerapia 

A PUVA associa psoraleno, medicamento que aumenta a sensibilidade à luz, à radiação UVA em protocolo supervisionado. A equipe define a forma de uso e a proteção de pele e olhos; a comparação com UVB de banda estreita considera indicação e rotina das sessões.

Remover a cor restante (despigmentação) 

É uma opção pouco utilizada, discutida quando a perda de pigmento é muito extensa e a pessoa prefere uniformizar a pele clara em vez de buscar repigmentação. Um agente despigmentante é aplicado nas áreas que mantêm cor. Essa escolha exige conversa detalhada sobre aparência, cuidados diários e permanência do efeito.  A despigmentação é considerada permanente e pode levar bastante tempo. Produto, áreas e frequência são definidos pelo dermatologista. Irritação ou ressecamento devem ser comunicados para ajustar o cuidado; a proteção solar passa a fazer parte contínua da rotina da pele despigmentada.

Cirurgia

Em vitiligo estável e bem selecionado, procedimentos cirúrgicos podem ser discutidos quando medicamentos e fototerapia não trouxeram resposta adequada. O planejamento verifica estabilidade, tamanho e localização da área, além de como a pele costuma cicatrizar. Conheça as diferenças entre as técnicas:

Enxerto de pele 

Este procedimento consiste na transferência de pequenas partes da pele pigmentada saudável para as áreas que perderam o pigmento. É indicado quando as manchas são pequenas.  São cuidadas duas regiões: a que doa a pele e a que recebe o enxerto. Antes de marcar, confirme onde ficarão os curativos e quais movimentos ou atritos deverão ser adaptados na recuperação.

Enxerto de bolha 

Utiliza a camada superficial de bolhas produzidas de forma controlada em uma área pigmentada, transferindo-a para a região sem cor. O exame escolhe a área doadora e verifica se o vitiligo está estável antes de considerar essa técnica. 

Transplante de suspensão celular 

Este procedimento consiste na retirada de tecido da área de pele pigmentada que é colocada em solução e depois transplantada para a área afetada preparada. A recuperação da cor é acompanhada ao longo dos meses e varia conforme a área e a resposta da pele.

Na conversa sobre cirurgia, devem ser considerados cicatriz, infecção, diferenças de tonalidade e possibilidade de resposta incompleta ou novas manchas após trauma. A equipe explica como cuidar dos curativos, quando retomar atividades e como entrar em contato se a recuperação fugir do esperado.

O acompanhamento separa dois resultados: parar de formar ou ampliar manchas e recuperar pigmento nas áreas já claras. A pele pode estabilizar antes de apresentar uma mudança de cor perceptível. Por isso, a comparação considera cada região e o objetivo da etapa atual, em vez de apenas a aparência geral.

Quando surgem pontos de cor, a avaliação acompanha como eles evoluem e como a pele tolera o tratamento. Atividade persistente, resposta insuficiente em uma região ou dificuldade para manter as aplicações podem levar a um ajuste ou associação. Após a repigmentação, o plano também pode incluir manutenção.

É possível prevenir o vitiligo?

Não há uma forma de impedir todo caso de vitiligo. Para cuidar da pele já afetada, combine proteção solar nas áreas expostas com roupas adequadas à sua rotina e atenção a locais de atrito. A camuflagem pode uniformizar a aparência para quem prefere essa opção, inclusive durante o tratamento. A escolha considera a tonalidade da pele ao redor, a área a cobrir e a praticidade da reaplicação. Tratar, camuflar ou apenas acompanhar são decisões que também levam em conta como você se sente com as manchas.

Dermatologia clínica / diagnóstico

Quem examina a sua pele

Sinais parecidos podem ter causas diferentes; a consulta define prioridades, investigação e acompanhamento quando necessário.

Dra. Juliana Toma aponta anatomia facial na tela durante a consulta
Explicação de anatomia facial
Detalhe do dermatoscópio sobre a pele da mão da paciente
Dermatoscopia — detalhe
Lago de carpas no jardim interno da clínica
Lago de carpas do jardim interno

Referências Bibliográficas

Referências Bibliográficas
↑1American Academy of Dermatology. Vitiligo: diagnosis and treatment. https://www.aad.org/public/diseases/a-z/vitiligo-treatment
↑2Halder RM, Chappell JL. Vitiligo update. InSeminars in cutaneous medicine and surgery 2009 Jun 30 (Vol. 28, No. 2, pp. 86-92). WB Saunders.
↑3Yaghoobi R, Omidian M, Bagherani N. Vitiligo: a review of the published work. The Journal of dermatology. 2011 May;38(5):419-31.
↑4Zhang XJ, Chen JJ, Liu JB. The genetic concept of vitiligo. Journal of dermatological science. 2005 Sep 1;39(3):137-46.
↑5Passeron T, Ortonne JP. Physiopathology and genetics of vitiligo. Journal of autoimmunity. 2005 Jan 1;25:63-8.

Centro de Excelência em Dermatologia

Seu plano para acompanhar o vitiligo

Leve fotos com datas e anote quais áreas mudaram e quais você deseja tratar. Se houver indicação de fototerapia, confirme onde será realizada, a frequência prevista e como será o acompanhamento. Conte também como as manchas afetam sua rotina e quais são suas prioridades.

Dra. Juliana TomaDermatologista · CRM-SP 156490 · RQE 65521Formação e residência em Dermatologia pela UNIFESP-EPM.

Consulta particular de 1 hora, com avaliação dos sintomas e exame da pele de todo o corpo antes de qualquer tratamento. Os retornos são realizados com a mesma médica.

Dra. Juliana Toma explica uma imagem no monitor à paciente.

Fotografia · ConsultaExplicação de imagens durante a consulta.

Dra. Juliana Toma

UNIFESP-EPM
Medicina e Dermatologia
AMB / SBD
Especialista e sociedade médica
Sírio-Libanês
Dermatologia Oncológica
HC-FMUSP
Tricologias, Discromias e Acne
Harvard Medical School
Pesquisa Clínica
CREMESP
Câmara Técnica 2018-2023
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Perguntas frequentes

Preciso chegar com um diagnóstico ou tratamento escolhido?

Não. A avaliação pode começar pela alteração que você percebeu e pelo que deseja melhorar. O diagnóstico e as opções são discutidos a partir do exame da pele.

Toda queixa precisa de exames complementares?

A avaliação clínica já esclarece muitas alterações. Um exame adicional é escolhido quando pode responder a uma dúvida específica e mudar a conduta; não existe um pacote único para todas as queixas.

Átrio da clínica visto do alto, com escada, ripado e jardim interno.
Fotografia da clínica · AmbienteArquitetura da clínica no Jardim Paulista.
Foto e descrição

Átrio da clínica visto do alto, com escada, ripado e jardim interno.

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Consulta
Atendimento particularCom hora marcada
Localização
Alameda Jaú, 695Jardim Paulista · São Paulo
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Estacionamento cobertocom manobrista gratuito
Autoria do artigo e formação
Autoria médica
Dra. Juliana Toma

Dra. Juliana Toma

Dermatologia clínica, cosmiatria e tecnologias dermatológicas com avaliação médica individualizada.

Canais oficiais
Médica DermatologistaCRM-SP 156490 / RQE 65521

Médica formada pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP-EPM), com Residência Médica em Dermatologia pela UNIFESP-EPM, Título de Especialista em Dermatologia pela AMB e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Tem formação complementar em Dermatologia Oncológica pelo Instituto Sírio-Libanês, fellow em Tricologias, Discromias e Acne pelo Hospital das Clínicas da FMUSP, e pós-graduação em Pesquisa Clínica pela Harvard Medical School.

Foi Conselheira do CREMESP e Coordenadora da Câmara Técnica de Dermatologia do CREMESP (2018-2023).

UNIFESP-EPMMedicina e DermatologiaAMB / SBDEspecialista e sociedade médicaSírio-LibanêsDermatologia OncológicaHC-FMUSPTricologias, Discromias e AcneHarvard Medical SchoolPesquisa ClínicaCREMESPCâmara Técnica 2018-2023

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