Coceira e manchas na pele? Pode ser escabiose (sarna)

Surgiram manchas avermelhadas ou claras na pele e que coçam muito? Pode ser escabiose, popularmente conhecida como sarna ou perebas. É uma doença parasitária humana contagiosa, que precisa ser tratada para evitar que se espalhe entre parentes, amigos, no ambiente escolar ou trabalho. 

Continue lendo o post, entenda as causas, sintomas, tratamento, entre outras informações sobre o tema. Acompanhe!

É uma doença de pele, uma parasitose humana causada por um ácaro (Sarcoptes scabiei variedade hominis). Se trata de uma infecção contagiosa que pode se espalhar rapidamente por meio do contato físico.

Esse contágio ocorre somente entre humanos, através do contato direto entre as pessoas, ou pelo uso das mesmas roupas, ou objetos contaminados. A taxa de contágio não é tão elevada, visto que este contato precisa ser prolongado para que haja a contaminação.

Como a doença evolui?

Os ácaros são seres microscópicos que pertencem à classe dos aracnídeos. O causador da sarna, o Sarcoptes scabiei apresenta um tamanho médio de 0,3 milímetros, estando no limite da capacidade de enxergar do olho humano. 

Esse ácaro é um parasita que necessita de um meio para viver, alimentar e se reproduzir. Seu ciclo de vida dura aproximadamente 30 dias quando parasita, e de 24 a 48 horas fora da pele humana. 

Após a cópula, o macho morre e a fêmea começa a penetrar a pele até as camadas mais profundas da epiderme, criando um túnel microscópico onde ela faz seu ninho. Lá são depositados de 2 a 4 ovos diariamente durante todo seu ciclo de vida, que pode durar até 60 dias. 

Os ovos eclodem em três ou quatro dias. As larvas buscam o caminho de volta à superfície da pele pelo túnel feito pela mãe para completar seu ciclo evolutivo. Já nas partes mais externas da epiderme, os ovos amadurecem e se espalham para outras regiões do corpo. Todo esse processo de maturação leva cerca de 20 dias.

Os Sarcoptes scabiei se alimentam da queratina, mas para isso precisam quebrar as proteínas que formam a pele. À medida que se movimentam pela epiderme, deixam para trás as enzimas que quebram as proteínas e fezes, provocando lesões lineares na pele. Essas lesões e o prurido (coceira) são resultado de uma reação defensiva do corpo humano contra o ácaro, seus ovos, enzimas e fezes.

Quais os sintomas?

As manifestações clínicas decorrem da ação direta do ácaro na movimentação pelos túneis que eles produzem na epiderme. A hipersensibilidade desenvolvida pelo paciente também pode causar danos. 

Os principais sintomas da escabiose são as lesões, que surgem principalmente nos dedos das mãos, punhos, axilas, palma da mão, genitais e auréolas. Na maioria dos casos a cabeça não é acometida pela ação dos ácaros.

As lesões da escabiose são pequenas pápulas (pontos ou pequenas erupções com relevo, geralmente avermelhadas com 1 a 3 cm de diâmetro.

As lesões, muitas vezes, passam despercebidas por serem muito pequenas ou estarem escondidas embaixo dos arranhões causados pela coceira intensa. 

A coceira difusa (em diferentes partes do corpo), sendo mais intensa durante a noite, também está entre as manifestações clínicas típicas da doença. Também são comuns escoriações na pele por conta da coceira intensa. 

 O período médio de incubação da parasitose é de cerca de 6 semanas, contudo, as pessoas reinfectadas demonstram sintomas em apenas 24 horas após a infecção. Uma só pessoa infectada pode transmitir sarna mesmo que os sintomas ainda não tenham sido notados. 

Como é feita a transmissão?

Contrair escabiose não significa que o paciente não dá atenção a sua higiene pessoal, uma vez que a infecção ocorre entre pessoas por meio do contato. Os casos mais comuns acontecem entre pessoas da mesma família ou que partilham do mesmo ambiente. A transmissão também pode ser feita no ato sexual.

Creches, alojamento das forças armadas, lares para idosos, albergues públicos e presídios são ambientes em que ocorrem frequentemente os surtos de sarna. O contato de crianças e jovens na escola não costuma ser próximo o bastante para desencadear a transmissão. Da mesma forma, um simples aperto de mão ou abraço rápido não são suficientes para transmitir a sarna. 

Fora da epiderme humana, o ácaro tem um período de sobrevida de 24 a 48 horas, dessa forma, sua transmissão pode ocorrer pela compartilhamento de roupas, toalhas, ou lençóis, embora seja pouco comum. 

Ao contrário do imaginário popular, animais como cães, gatos, equinos e bovinos não transmitem escabiose para humanos. Trata-se de uma infecção cujo contágio se dá apenas entre humanos e, embora esses animais possam ter sarna, o ácaro que os infecta é diferente, o que torna a transmissão para humanos pouco provável. 

Em casos raros em que esta infecção entre animais e humanos ocorre, o motivo é uma infestação não habitual nesses animais. Todavia, como o ser humano não é hospedeiro natural da sarna animal, o ácaro não se reproduz e a infecção não dura mais que poucos dias (tempo de vida natural do ácaro fora de seus hospedeiros).

Diagnóstico

O diagnóstico é essencialmente clínico, contudo, se for preciso, será feita a confirmação laboratorial.  A pesquisa consiste na avaliação da pele a partir do material das lesões e sulcos. Coleta-se uma pequena parte de tecido da região afetada para análise no  microscópio para examinar se há túneis na pele e demais características das lesões.

Quando é detectada a presença do parasita no paciente, todos que tenham contato físico direto com o mesmo devem ser examinados e tratados para interromper a cadeia de transmissão da parasitose. 

Como prevenir?

Para evitar contrair a infecção, não use roupas pessoais, de cama ou banho de outras pessoas. Pessoas com hábitos higiênicos confundem a sarna com outras doenças causadoras de coceira, daí a necessidade do diagnóstico adequado do médico que indicará o tratamento. 

O paciente já diagnosticado deve evitar o contato direto com outras pessoas, também deve evitar o contato com suas roupas pessoais, de cama e banho. Essas, precisam ser trocadas diariamente e lavadas com água quente, secas ao sol e passadas. Artigos não laváveis devem ficar vedados por até duas semanas para matar o ácaro, que vive pouco tempo fora do hospedeiro humano.

Qual o tratamento?

Basicamente, há duas opções de tratamento para a escabiose: a Permetrina 5% ou a Ivermectina em comprimidos.

Inicialmente é administrada a Permetrina 5% tópica, na forma de creme, loção ou pomada. Deve ser aplicada em todo o corpo, do pescoço para baixo, principalmente na palma das mãos, planta dos pés, virilha e regiões próximas aos genitais, regiões interdigitais e áreas sob as unhas. 

A solução deve agir de 8 a 14 horas, dependendo da gravidade da infestação. Uma segunda aplicação deve ser feita. Se for necessário, será indicada uma segunda aplicação poucos dias depois (geralmente de 5 a 10 dias).

Em crianças com menos de dois anos, idosos e em pessoas imunodeprimidas (pacientes que apresentam mecanismos normais de defesa comprometidos), deve-se incluir também o couro cabeludo, orelhas, pescoço e face, exceto na região periocular e perilabial. 

O bom andamento do tratamento se dá com o desaparecimento das lesões e do prurido noturno em uma semana aproximadamente. O prurido residual pode durar por até 4 semanas após o fim do tratamento, mas é visto como normal.

Gestantes, lactantes e crianças a partir de 2 meses de vida acometidos pela escabiose também podem ser tratadas com a Permetrina com segurança. Apenas para crianças com menos de 2 meses de vida, o tratamento primário é o enxofre a 6% em vaselina em uma solução manipulada. Nesse caso, aplica-se em todo o corpo por 24 horas, durante 3 dias seguidos e não há efeitos colaterais graves, exceto o mal-estar devido ao cheiro forte do enxofre. 

Já a Ivermectina oral é administrada em doses de 200 mcg/kg diárias de 7 a 14 dias. Esse tipo de tratamento é utilizado em pacientes que não respondem bem ao tratamento tópico, em casos mais graves de escabiose, em idosos, em pacientes imunossuprimidos, com dermatite atópica ou com eczema generalizada, além de outras situações em que a terapêutica tópica não possa ser utilizada. 

A taxa de sucesso de ambas as terapias é semelhante, contudo, a Ivermectina é o tratamento mais indicado quando há surtos, em especial em presídios, lares de idosos, creches ou domicílios em que há muitos moradores, uma vez que tomar um comprimido é mais simples e prático do que aplicar cremes por todo o corpo. 

Nos casos mais graves, como o de sarna crostosa, o tratamento prevê a combinação dos dois medicamentos. A Permetrina é aplicada diariamente durante 7 dias e a Ivermectina em doses intercaladas, nos dias 1, 2, 8, 9 e 15.

Vale ressaltar que a pessoa infectada com o ácaro da escabiose pode levar até 6 semanas para apresentar os sintomas. Portanto, o tratamento também é recomendado para os demais membros da família e as pessoas que tiveram contato sexual com o paciente, mesmo que elas não estejam apresentando os sintomas. 

Deixe o seu comentário