Micose na virilha: Causas, sintomas, tratamentos e como evitar

A micose na virilha é um tipo de infecção fúngica bastante comum, já que a região possui o ambiente perfeito para essa populações, quente e imido. Apesar de todos estarem sujeitos ao problema, pessoas do sexo masculino são as mais afetadas. 

Indivíduos que praticam atividades esportivas ou mesmo que por motivos genéticos produzem mais suor também são predispostos. Além disso, podemos incluir em situação similar, obesos e pacientes com diabetes descompensada. 

Diferentes fungos podem infectar a região da virilha, no entanto, a Tinea Cruris merece destaque. Este é o tipo de fungo mais comum nesta região, e causa manchas avermelhadas, coceira, bolhas e descamação da pele. 

Conheça o distúrbio e aprenda como se cuidar e se proteger! 

Pelo menos na maioria dos casos a micose na virilha não é um problema grave. A infecção costuma ser simples e inofensiva.

O que é a micose na virilha?

A micose na virilha é um distúrbio de pele causado por infecções fúngicas, geralmente pela tinea cruris, o que faz deste tipo de fungo muitas vezes um sinônimo do problema. 

Devido ao microorganismo responsável pelos sintomas, esse tipo de micose pertence ao grupo de dermatofitose, que incluem fungos do gênero Trichophyton, Microsporum ou Epidermophyton.

Como o seu próprio nome diz, a infecção afeta especificamente a virilha. No entanto, há risco de contaminação também na região genital, nas coxas e nas nádegas. 

Pelo menos na maioria dos casos a micose na virilha não é um problema grave. A infecção costuma ser simples e inofensiva. A grande preocupação envolvendo este tipo de distúrbio é o seu caráter altamente transmissível. Se não tratada, a doença tende a se espalhar rapidamente. 

Sintomas

Os sintomas da micose na virilha são bem típicos, dentre eles, alterações cutâneas como vermelhidão, coceira e descamação. Além disso, podem ocorrer ardência e incômodos devido ao contato entre a zona lesada e a roupa. 

O quadro sintomatológico provocado pela tiena cruris geralmente tem início com o aparecimento de algumas placas avermelhadas na parte interna das coxas. Essas lesões costumam ter bordas bem demarcadas e uma aparência bastante ressecada. Tais alterações podem se estender desde as coxas, às regiões pubianas e glúteos.  

Como vimos, a doença afeta principalmente pessoas do sexo masculino. Nos homens, a bolsa escrotal e o pênis não são atingidos, pelo menos na maioria dos casos.

Essa é uma característica importantíssima para avaliação clínica, já que as micoses provocadas por cândida, uma infecção também bastante comum na virilha, atingem não só a região inguinal, mas também a bolsa escrotal. 

Em geral, a micose na virilha costuma coçar bastante e suas manchas não desaparecem com o passar do tempo. Se não tratado adequadamente, o problema pode, além de se espalhar para outras partes do corpo, evoluir para escoriações, nódulos e placas cada vez maiores. 

Fatores de risco

A virilha é por si uma zona favorável a infecções, pois como vimos, é um ambiente quente e úmido, o local perfeito para proliferação de fungos. No entanto, alguns outros fatores também favorecem o aparecimento de micoses em regiões inguinais: 

  • Contato com fungo por meio de utensílios contaminados como toalhas, lençóis e roupas 
  • Relações sexuais com pessoas contaminadas
  • Roupas muito apertadas, especialmente as de tecidos sintéticos 
  • Épocas de climas mais quentes 
  • Excesso de sudorese local 
  • Má higienização da virilha 
  • Poucas trocas de roupas íntimas 
  • Obesidade e sobrepeso, o que aumenta ainda mais a área de maior suscetibilidade 
  • Imunossupressão 
  • Diabetes Mellitus 
  • HIV
  • Certos medicamentos 

Evitar tais fatores de risco é uma das primeiras formas de prevenir a micose na virilha. Fique atento! 

A seguir, falaremos sobre suas causas. 

Causas

A nossa pele é habitat de várias populações de microrganismos, inclusive de fungos dos mais diversos tipos. 

Quando ocorre algum desequilíbrio no organismo, seja por fatores externos como umidade, calor e feridas na pele, ou internos, em especial alterações no sistema imune do corpo, podem ocorrer invasões desses fungos para camadas mais profundas da pele, gerando como resultado o quadro que chamamos de micose. 

Nestes casos, a micose seria provocada principalmente por fungos de espécies do gênero Candida, que habitam a pele em forma de leveduras. 

As tineas, em especial a tinea cruris, a principal causadora de micose na virilha, como vimos, pertence ao grupo dos dermatófitos. Esses fungos geralmente são adquiridos por meio de contato com pessoas ou objetos contaminados. 

Há ainda outra possibilidade. Já ouviu falar em eritrasma? 

Esta condição patogênica é causada por bactérias do gênero Corynebacterium e apesar de não serem uma micose em si, simulam bem quadro similares ao descrito neste artigo. 

Identificar com exatidão a causa do problema é uma parte essencial do diagnóstico, já que o tratamento é direcionado ao microorganismo causador. Em alguns casos um exame micológico pode ser necessário para confirmação do agente.

Como ocorre a contaminação 

A principal fonte de contaminação são objetos portadores do fungo, geralmente toalhas, lençóis e roupas. Por isso, é muito importante que se evite compartilhar itens como esses. 

Pode ocorrer ainda auto-contaminação. Muitas pessoas possuem micoses em outras partes do corpo e de alguma forma fazem a transmissão desses locais para a virilha. Isto acontece muito com pacientes que possuem micose nos pés, o que conhecemos popularmente como frieira. Um toque nas lesões contaminadas é suficiente para infecção de novas áreas. 

Além disso, conforme vimos anteriormente, ter relações sexuais com pessoas infectadas é uma das formas de contágio. Por ser uma doença transmitida pelo contato e infectar zonas próximas a genital, este tipo de contágio é bastante comum.

Apesar de seu caráter altamente transmissível, ter contato com o fungo não quer dizer necessariamente que você irá apresentar micose na virilha. A infecção depende de diversos fatores, este microorganismo precisará ultrapassar as barreiras da pele, após isso, vencer o sistema imunológico do corpo, e por fim, encontrar um ambiente propício para sua proliferação. 

No entanto, vale sempre a pena evitar o máximo possível o contato com o fungo. Mais adiante falaremos mais sobre formas de prevenção.

Diagnóstico

Se você tem apresentado algum dos sintomas aqui descritos, recomendamos que consulte um dermatologista de sua confiança. Cabe a esses especialistas a identificação e o tratamento de distúrbios de pele como este.  

O diagnóstico da micose na virilha é predominantemente clínico. A consulta tem início com uma breve conversa sobre o histórico de saúde do paciente, seus hábitos e sua queixa. 

Neste momento, o médico fará perguntas como: 

  • Há quanto tempo você notou as alterações cutâneas?
  • Os sintomas aparecem apenas na virilha? 
  • Há sintomas sistêmicos? 
  • O que alivia os sintomas?
  • Há fatores de piora?
  • Você entrou em contato com alguma substância irritativa recentemente? 

O objetivo é conhecer melhor o quadro e descartar outros tipos de distúrbios. 

O diagnóstico diferencial da Tinea cruris inclui:

Exame físico

O exame físico também é muito importante, ao observar as lesões o médico poderá diferenciar este de outros distúrbios. 

Um exemplo disso, foi o que demos anteriormente. Enquanto a tinea só afeta os arredores da região genital, os fungos do grupo Candida provocam inflamações no escroto.

Apesar de similares, cada doença tem suas peculiaridades sintomatológicas, o que pode ser analisado durante o exame físico. 

Exames Complementares

Em alguns casos a análise clínica não é suficiente para uma identificação certeira. Para esses pacientes, podem ser indicados alguns exames complementares.

O exame micológico (hidróxido de potássio) é geralmente o primeiro a ser prescrito. Através de uma amostra da lesão, é feito um estudo microscópico do material à procura de fungos. Como a cândida e os fungos do grupo dermatófitos possuem aspectos distintos, eles podem ser facilmente diferenciados.

Tratamento

Após o diagnóstico correto do tipo de infecção e da sua causa, o médico irá fazer a prescrição do tratamento mais adequado.

Veja abaixo as principais opções para pacientes com micose na virilha.

Medicamentos de uso tópico

Os medicamentos de uso tópico são sem dúvidas o tratamento mais utilizado para o distúrbio. Esses remédios podem ser apresentados em forma de creme, loção, spray ou pomada, e devem ser aplicados diretamente sobre a área afetada. 

Dentre os mais indicados, podemos citar: 

  • Terbinafina
  • Naftifina
  • Cetoconazol
  • Miconazol
  • Tioconazol
  • Clotrimazol
  • Oxiconazol

Alguns deles servem para mais de um tipo de fungos, enquanto outros, como por exemplo as pomadas à base de nistatina, servem apenas para um determinado grupo, neste caso, o Candida. 

Medicamentos feitos com corticoides devem ser evitados, pois podem acabar mascarando os sintomas e atrapalhando o acompanhamento do problema. As pomadas betametasona e triancinolona são alguns exemplos de remédios contraindicados.

O tratamento pode se estender a algumas semanas, geralmente de 3 a 4, dependendo da necessidade de cada indivíduo. 

Medicamentos Orais 

Remédios orais podem ser indicados para casos mais graves ou para pacientes que não apresentam nenhuma melhora por meio das pomadas após 4 semanas de tratamento. Dentre os fármacos utilizados nesses casos, podemos citar o Cetoconazol, o Itraconazol e a Terbinafina. 

O uso de medicamentos deve ser feito estritamente sob prescrição médica. A automedicação é contraindicada e oferece riscos à saúde.

Medidas Gerais 

Os medicamentos realmente fazem uma grande diferença na recuperação da saúde da pele. No entanto, sem lidar com os fatores de risco, você provavelmente não conseguirá obter bons resultados. 

Veja algumas medidas simples que podem fazer a diferença em seu tratamento. 

  • Não usar roupas muito justas para evitar fricção da pele 
  • Evitar calor e umidade 
  • Lavar bem a virilha 
  • Não permanecer com roupas molhadas em casos de banhos em piscina ou praias
  • Secar-se bem após o banho e não compartilhar toalhas
  • Trocar a roupa íntima com frequência 
  • Larvar e secar bem calcinhas e cuecas  
  • Evitar tomar banhos muito quentes 
  • Evitar coçar as lesões
  • Lavar sempre as mãos

Como evitar

Os tratamentos geralmente produzem ótimos resultados, trazendo recuperação completa aos pacientes. No entanto, sem dúvidas, a melhor forma de lidar com micose na virilha é tentando evitá-la. 

Preparamos algumas dicas para você! 

Mantenha-se limpo e seco

Tome banho todos os dias e faça uma boa limpeza da virilha e das áreas genitais. É muito importante a remoção de todo o suor da região, por isso, capriche na limpeza após atividades físicas. 

Prefira água de morna a fria, pois o calor favorece a umidade, o que como vimos, é um dos fatores de risco para micoses. 

Por último, seque-se bem antes de se vestir. Por ser uma região de dobras, a virilha irá precisar de uma atenção especial.

Para os homens, prefiram cuecas samba-canção

Os homens são naturalmente mais vulneráveis à micose na virilha, por isso, deixaremos uma dica especial para pessoas do sexo masculino. Prefiram roupas íntimas largas e confortáveis, para assim evitar a umidade. 

Além disso, escolha tecidos mais leves e macios como algodão e lã, os tecidos sintéticos acumulam calor e irritam a pele.

Não repita roupas íntimas e lave-as bem

Usar a mesma roupa íntima por muito tempo, além de causar mau cheiro, acaba favorecendo a proliferação de fungos. 

Troque de calcinha ou cueca com frequência e seja cuidadoso no momento da lavagem. É preciso remover todo o suor. Além disso, talvez tenha ocorrido algum tipo de contaminação, o que pode ser higienizado com uma boa lavagem. 

Não vista roupas úmidas ou molhadas, espere o tecido secar bem e passe-o antes de usar.

Use talco antifúngico

Usar talco antifúngico é uma boa forma de evitar o desenvolvimento de micoses na virilha. O produto ajuda a impedir o crescimento de fungos ao manter o local seco. 

Este pode ser um grande aliado durante atividades físicas ou mesmo para os dias mais quentes do ano, onde seu corpo irá transpirar mais e por isso estará mais propício à infecções.

Procure ajuda especializada

Diante de qualquer sintoma, consulte um dermatologista de sua confiança. As micoses são infecções altamente contagiosas, e apesar de não oferecerem grandes riscos para a saúde, devem ser diagnosticadas e tratadas adequadamente.

Dra. Juliana Toma

CRM-SP: 156490 / RQE: 65521. Médica Especialista em Dermatologia pela SBD. Residência Médica em Dermatologia pela UNIFESP - Universidade Federal de São Paulo. Pós-Graduação em Dermatologia Oncológica pelo Instituto Sírio Libanês. Pós-Graduação em Pesquisa Clínica - Principles and Practice of Clinical Research - Harvard Medical School (EUA).

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