Dermatite de contato com níquel

Teve contato com níquel ou outro metal e apresentou uma reação adversa na pele? Possivelmente você tem sensibilidade a metais pesados, no caso, ao níquel, que está presente principalmente em joias. 

Os sintomas típicos da condição são ardência, coceira, inchaço, descamação e aquela sensação de que a pele está “pinicando”.

A Dermatite de contato com Níquel (DCI) acomete 33% da população, sendo mais comum em mulheres de cor branca e de meia-idade, cuja sensibilização chega a 48% sem correlação ocupacional. 

O níquel e outros metais como cobalto e cromo podem gerar dermatites alérgicas em alguns indivíduos que tenham contato ou por acaso tenham ingerido alguma dessas substâncias. 

Continue lendo o post, entenda as causas e o que fazer em caso de hipersensibilidade. Acompanhe!

Dermatite de contato com níquel

A dermatite de contato por metais é mais comum com cromo, cobalto e níquel. No níquel especificamente, a reação se dá pelo contato ou ingestão do hexaidrato de níquel, de sulfato de níquel ou outro composto. 

Esses compostos são amplamente aplicados na produção de joias, moedas, botões de metal, chaves, grampos de papel, óculos, tinturas do esmalte, fiação elétrica, entre outros utensílios. 

Nem sempre estão na forma de metal como conhecemos. O sulfato de níquel, por exemplo, é chamado popularmente de sal azul (hexaidrato do monosulfato do níquel), devido à semelhança com o sal de cozinha (NaCl), mas de coloração azulada.

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Quais os sintomas?

Desde 2008, a Sociedade Norte Americana de Dermatite de Contato declarou o níquel como alergênico. Vamos aos sintomas mais comuns da Dermatite de contato com níquel:

  • eritema, o famoso vermelhão na pele;
  • descamação da área de contato;
  • vesícula (comumente chamada de bolhas de água);
  • pruritus (desconforto na pele, que pode gerar a descamação);
  • dermatite e eczema (inflamação e rachamento da pele). 

Esses sintomas se dão na área de contato com o níquel, que fica vermelha e com aspecto semelhante ao da sarna, com bolhas ou pigmentos. 

Os locais mais comumente afetados pela dermatite de contato com níquel são:

  • dedos – causada por anéis e alianças;
  • pulsos – causada por correntes ou braceletes de relógio;
  • lóbulos da orelha – causada aos brincos de contenção;
  • peito e abdômen – causada por botões de brim; 
  • mãos e antebraços – causada pelo manuseio de ferramentas ou equipamentos. 

A DCI é causada pelo contato da pele com haptenos de acordo com a tolerância individual da pessoa, bem como o tempo de exposição. A reação é uma resposta não controlada do organismo e a perda dos mecanismos de tolerância. A prevalência dos sintomas ocorre conforme o tempo de exposição e sua frequência. 

Além disso, o níquel presente em alimentos também pode gerar reações adversas. O níquel dietético está presente em uma série de alimentos como pera, cereja, pêssego, frutos secos como passas, soja, amendoim, feijão, aspargo, salsa, cebola, cogumelos, couve, espinafre, tomate, arenque, atum, sardinha, cavala, além de crustáceos, molhos para salada e bebidas (café, chás, cerveja, etc). 

A ingestão dietética do níquel pode causar respostas sistêmicas em pessoas alérgicas. O quadro é chamado pompholyx, um tipo de eczema que causa irritação, além de bolhas no antebraço, mãos e pés. 

Muitas vezes, esses alimentos não causam qualquer manifestação, mas isso vai depender do grau de tolerância do indivíduo e quantidade de níquel absorvida pelo organismo. Outras substâncias podem reduzir a ação desses alimentos e podem ser consumidas juntamente para evitar as reações alérgicas.

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Quem pode desenvolver a dermatite de contato com o níquel?

Homens e mulheres de qualquer idade estão suscetíveis a este tipo de alergia e, uma vez manifestada, o problema pode persistir. Como evidenciado na pesquisa destacada anteriormente, é mais comum em mulheres, pelo costume delas de usar joias como brincos, piercings, anéis e correntes. 

O grau de reação varia de acordo com o indivíduo e sua tolerância. Algumas pessoas, mesmo com um breve contato com um utensílio de níquel, apresentam reações adversas, enquanto outras só apresentam alguma reação após anos de contato com o material. 

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Qual o tratamento?

A DCI pode ser tratada em casa quando os sintomas são leves. Nesses casos, é necessário usar compressas diluídas em vinagre para reduzir a ação do níquel. Se receitado pelo dermatologista, o paciente pode aplicar esteróides tópicos (pomada, creme ou gel) na área afetada pela dermatite. 

Quando a pele foi afetada e está ressecada ou com lesões que parecem sarnas, o tratamento se dá com cremes emolientes, que restauram a emulsão de óleo da epiderme, criando um “manto hidrolipídico” ou “barreira cutânea” que protege a superfície da pele. Se houver infecção secundária por bactérias, o dermatologista pode receitar um antibiótico. 

Aos pacientes com alto nível de alergia ao níquel são orientados a evitar determinados alimentos processados e enlatados. A maioria das carnes, vegetais, peixes e demais produtos de origem láctea são seguros, contudo, a concentração de níquel pode ser diferente de acordo com a região. 

Por se tratar de uma condição circunstancial, a prevenção ainda é a melhor forma de evitar a dermatite pelo contato com níquel. Pacientes já diagnosticados devem evitar totalmente qualquer contato de pele com níquel, como o uso de joias (colares, brincos, braceletes, correntes, relógios, ganchos, botões, etc). 

Além das joias, outros itens de casa são produzidos com a matéria-prima como telefone, móveis, chaves, isqueiro, entre outros. Portanto, escolha itens feitos de outros metais ou de plástico. 

O níquel dietético

Estamos falando em alimentos que levam alguma liga de níquel em sua composição. É perfeitamente normal, não fazem mal às pessoas sem alergia, mas podem ocasionar reações adversas em quem é alérgico. 

Na maioria dos casos, se houver uma ingestão esporádica, pessoas sensíveis ao níquel podem nem manifestar a dermatite, contudo, as sensíveis podem apresentar mudanças no sistema imunitário que conduzem a reações clínicas. 

O níquel é importante na alimentação humana. A ingestão dietética do níquel aumenta os níveis interleukin-5 no soro, causando o aumento rápido da produção dos eosinophils, que participam da produção de glóbulos brancos e vermelhos, e ajudam o organismo a combater alergias e infecções.

Em pessoas sensíveis, o organismo não consegue absorver o níquel por completo, então é necessário ingerir outros alimentos para auxiliar na absorção. Alimentos ricos em Vitamina C e ferro são capazes de ajudar na absorção adequada ou reduzir os níveis de absorção de níquel dietético em casos de hipersensibilização. 

Em geral, pessoas com dermatite de contato com níquel podem viver uma vida normal, mesmo com a ingestão desses alimentos, desde que respeitando sua tolerância, consumindo os alimentos que ajudam na sua absorção e utilizando os medicamentos receitados pelo dermatologista. 

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Dra. Juliana Toma – Médica Dermatologista pela Universidade Federal de São Paulo – EPM

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Dra. Juliana Toma

Médica Dermatologista - CRM-SP 156490 / RQE 65521 | Médica formada pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP-EPM), com Residência Médica em Dermatologia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP-EPM), com Título de Especialista em Dermatologia. Especialização em Dermatologia Oncológica pelo Instituto Sírio Libanês. Fellow em Tricologias, Discromias e Acne pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Pós-Graduação em Pesquisa Clínica pela Harvard Medical School – EUA. Ex-Conselheira do Conselho Regional de Medicina (CREMESP). Coordenadora da Câmara Técnica de Dermatologia do CREMESP (2018-2023).

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